terça-feira, 27 de setembro de 2016

Brasil rima com preconceito



Você deve ter ficado curioso com o título desse post. Afinal, o brasileiro discrimina tanta coisa que quando se põe um título tão aberto envolvendo preconceito é impossível adivinhar de cara sobre qual estamos falando, não é? Pois bem, hoje vamos abordar uma questão social bem interessante. Vamos falar de música.

No Brasil, há uma cultura bem precária de que: Todo e qualquer movimento de protesto que for contra o governo (os mais fortes, que estão no topo da hierarquia social) é vandalismo. Vivemos isso desde antes da época da ditadura militar. "O comunista é criminoso!" disse o governo militarista. O mesmo governo que torturou e matou o cidadão de bem, que estava apenas pedindo por justiça. Sempre foi assim e ainda é. Mas a luta pela liberdade não para, na verdade ela está só começando. 

Quis citar a ditadura militar para que pudéssemos recapitular um pouco do estado crítico em que se encontravam os artistas do meio musical brasileiro nessa época. A censura era o carro chefe da opressão cultural, o impedimento de que o povo protestasse contra algo desumano. E mesmo assim, cantamos "Afasta de mim esse cale-se" e marcamos a história. Mantendo nas mentes do povo brasileiro o sentimento de que não, ainda não acabou. 

Foto/Divulgação: Livro Cale-se

Mas voltemos para 2016, um ano de grandes mudanças. Temos hoje, a liberdade de expressão. Podemos sim falar sobre qualquer coisa nas nossas canções, desde "novinha vem pra mim" até "como é grande o meu amor por você". Porém, vocês já notaram como o meio musical do Brasil é classificado? O preconceito ainda está ali, sabe? Mascarado pra que você não veja. Mas quem nunca ouviu pessoas dizendo o que é "música de rico, de gente culta, que tem bom gosto" e "música de pobre, coisa de favelado, música de bandido?" Estamos a todo tempo sendo lembrados que existem classes sociais e que elas não devem se misturar. 

Muitas pessoas não enxerguem a realidade por trás dessa máscara imunda que o Brasil insiste em sustentar alegando ser um país laico, o país da diversidade, o país do futebol. E foi exatamente desse jeito que marginalizaram o estilo musical maravilhoso que pretendemos abordar no post de hoje: O Rap.


Foto/Divulgação: Projota

A palavra Rap significa "Ritmo e poesia", trazendo consigo o hábito de não fazer das melodias seu foco principal, deixando as palavras mostrarem todo seu ideal através de letras bem elaboradas pra transmitir um pensamento, muitas vezes reflexivo, sobre algo. O rap "fala na cara" tudo aquilo que a censura tentou segurar. Felizmente, temos grandes representantes do rap atuando no nosso país, como Gabriel, o pensador, Projota e Emicida. Mas nem só de homem vive o Rap Nacional. As mulheres também conquistaram seu espaço, trazendo nomes como Amanda NegraSim, Pamelloza e Issa Paz.

Foto/Divulgação: Amanda NegraSim

Os raps desse pessoal muitas vezes vão de encontro a tudo aquilo que precisamos ouvir, mas não aceitamos ou não estamos preparados pra ouvir. De fato, é um estilo musical que combina bastante com a proposta do Fato em Movimento. Queremos fazer você pensar, enxergar o mundo com outros olhos, com olhos mais humanos e menos alienados.

Então, curte um pouco desse som!

Em homenagem aos nossos governantes:
https://www.youtube.com/watch?v=KPgs45B6AaI

Abre a mente e sente, depois me fala quem realmente é o trabalhador e o marginal. Tenho certeza que não vão se arrepender ;)     

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